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quinta-feira, 10 de março de 2011

O Estado do Maranhão não é pobre, quem é pobre é o povo maranhense.


Por: 
Bruno Rogens é professor e militante do PT-Ma



A semana que passou é ilustrativa do que é o Estado do Maranhão nestes tempos de sarneyzismo avermelhado (quase rosa) e infecções intestinas na máquina pública do estado. A FAPEMA, os sindicatos de professores e entidades ligadas à produção científica no estado e o governo fazem vistas grossa às denúncias de desvio de verbas da entidade para políticos e pessoas alheias à comunidade científica. 

Enquanto professores que não acham normal as denúncias veiculados sobretudo na blogosfera progressista do Maranhão se articulam para cobrar explicações das autoridades competentes, os campus da UEMA sofrem com o descaso na sua infraestrutura física e de denúncias de uma eleição suspeita para a reitoria.

Ao mesmo tempo se anuncia a realização da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência para 2012 em São Luís. Será que avisaram aos digníssimos senhores representantes da SBPC nacional como são geridos os recursos estaduais para a pesquisa científica no Maranhão? Este assunto ainda vai dar o que falar.

Ainda no quesito ciência e educação há um fato grave. Não faltam denúncias e reclamações de professores e profissionais da educação sobre as condições de trabalho, desorganização administrativa e atraso nos salários de professores. 

Ao mesmo tempo o governo de Roseana Sarney Murad anuncia pomposamente investimentos na ordem de R$ 40 milhões para o carnaval no estado. Repetindo: São R$ 40 milhões para a folia de momo em um carnaval que não tem chega aos pés do que é o carnaval de Recife por exemplo, com diversas atrações nacionais com apresentações gratuitas pela cidade. Aqui os R$ 40 milhões sabe lá como serão gastos entre os jegues, bichos e pontos com's da vida..
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No quesito corrupução a semana foi farta. Retificando, neste quesito os exemplos têm sido fartos há longos mais de 40 anos de domínio coronelesco da família Sarney. Mas vamos à semana: O prefeito de Barra do Corda, aquele que tem avião, helicóptero, carrões e mansões, acusados pela Polícia Federal de desviar mais de R$ 50 milhões da pobre Barra do Corda não passou um dia sequer preso. A Justiça conceder habeas corpus e o mesmo continua passeando de avião, helicoptero e carrões caçoando das instituições do país.

Aí vem a questão de nossa briosa Justiça. O sistema carcerário maranhense continua punindo como se estivéssemos no Afeganistão ou no Irã. Dentro do atual sistema os presos não tem nenhuma perspectiva de ressocialização. Aliás, esse conceito é um luxo para não só para o sistema carcerário maranhense mas também para o nacional. No Maranhão os presos são punidos através dos maus-tratos, condições precárias de sobrevivência nas cadeias e degolamentos. Só este ano já foram quase 10, sem falar nos assassinatos. Essa semana morreu mais um.

Ainda no quesito justiça há o curioso caso do ministério público estadual do Maranhão, em que um simples reforma de prédio já dura mais de três anos e obrigou o conselho nacional de justiça à enviar um representante para realizar diligência. A previsão de gastos iniciais para a reforma era de aproximadamente R$ 1milhão e 300 mil reais. Erros de execução dos cálculos elevaram esse valor para R$ 7 milhões e 400 mil reais, com a justificativa de incluir cabeamento elétrico e de informática, que não havia no primeiro projeto. Ora, quem desenvolveu o primeiro projeto imaginou que a sede das promotorias funcionaria à base de lamparina? E que cabos e redes elétricas e de informática são essas que custam essa fortuna? São os nossos gestores e representantes da Justiça....

Para fechar com chave de ouro esse breve relato da semana no Maranhão temos a operação da Polícia Federal que denunciou a cúpula da Incra no Maranhão. Estão sob investigação ex e atuais diretores do órgão, delegados agrários e presidentes de entidades ligadas à trabalhadores rurais. Os números não são precisos mas suspeita-se que acusados comandara um esquema de desvio dinheiro que varia de R$ 150 milhões de reais à R$ 500 milhões de reais, destinados à construção de casas em locais de assentamentos para trabalhadores rurais. Isso mesmo o rombo pode chegar a meio bilhão de reais, enquanto considerável número de trabalhadores rurais no Maranhão moram em casas de taipa à base de lamparina.

Para finalizar realmente cabe evocar a lembrança do companheiro Virgílio Moura, grande apoiador das lutas por reforma agrária e da organização dos trabalhadores rurais no Maranhão, falecido este sábado. Virgílio não merecia testemunhar os descalabros no Incra que agora vêm à público. Ele não merecia saber que o povo sofrido da sua terra continua sendo massacrado pelos poderosos, vivendo em condições adversas, entregues à sua própria sorte, sendo enganados por traidores das causas do povo. 

A sabedoria misteriosa da natureza tratou de levar Virgílio antes desses fatos virem à público. Que descanse em paz, ciente de que sua luta não foi em vão e de que homens e mulheres haverão de levar adiante a sua causa em nome da emancipação da classe trabalhadora, na cidade e no campo.


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